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Um pouco de história
A história do Partido dos Trabalhadores (PT) começou com as profundas transformações sociais vividas pelo país ao final da década de 70 e início dos anos 80.
Em 1979, o governo do general João Baptista de Figueiredo iniciava o "processo de abertura lenta e gradual", marcando os últimos momentos da ditadura militar. Com o retorno dos exilados políticos ao Brasil, após a anistia, as lideranças começaram a discutir a reformulação do quadro partidário. Desde o golpe militar de 1964, o sistema havia se reduzido à bipolarização entre Arena e MDB.
Sindicalistas, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, como lideranças rurais e religiosas, antes perseguidos e torturados, começaram a assumir abertamente o desejo de formar um partido feito pelos trabalhadores e para os trabalhadores. Era preciso romper a ordem econômica, social e política de exploração.
Por todo o país, a atuação dos movimentos sociais na luta por melhorias de vida no campo e na cidade alimentava o ideal de substituição do sistema capitalista por uma alternativa socialista de desenvolvimento. Greves por aumento de salários, protestos em defesa da moradia, luta pela reforma agrária, formavam o contexto social da época.
Mas, a construção de uma nova proposta partidária não aconteceu do dia para noite pois exigiu muita discussão e amadurecimento democrático. Um dos fatos mais expressivos aconteceu no dia 24 de janeiro de 1979 durante o IX Congresso de Trabalhadores Metalúrgicos, Mecânicos e de Material Elétrico do Estado de São Paulo. Lideranças e ativistas dos movimentos social e sindical aprovaram a proposta feita pelos metalúrgicos de Santo André conclamando "todos os trabalhadores brasileiros a se unificarem na construção de seu partido, o Partido dos Trabalhadores".
Nesse mesmo ano, no dia 1 de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, foi lançada a Carta de Princípios do PT, documento em defesa da democracia participativa, organizada e consciente. Em outubro, uma reunião envolvendo 130 representantes de seis estados, apresentava oficialmente o Movimento Pró-PT.
Na ocasião, aprovou-se a Declaração Política, que propunha uma plataforma identificada com os anseios dos movimentos populares e contrária à reforma partidária imposta pelo regime. Dezessete responsáveis pela direção do Movimento Pró-PT elegeram a Comissão Nacional Provisória.
Porém, em novembro de 1979, o Congresso Nacional aprovou a nova legislação, fortalecendo a organização de partidos tradicional na história do Brasil e criando uma série de formalidades que dificultavam a legalização do PT.
Após muitas batalhas, no dia 10 de fevereiro de 1980, formou-se o PT, nascido de baixo para cima, diferente de todos os que haviam surgido no Brasil. Suas características fundamentais incluíam ser um partido classista, de massas, de lutas, democrático e socialista.
O ato aconteceu no auditório do Colégio Sion, em São Paulo, onde foi aprovado, por aclamação, o Manifesto do PT, reunindo 1200 pessoas. Comissões regionais de 17 estados brasileiros iniciavam a organização do novo partido pelo país.
ESPIRITO SANTO
No Espírito Santo, a formação do partido começou com reuniões no decorrer do ano de 1979. Uma delas, de cunho mais informal, aconteceu no Colégio Americano e outra, realizada no Colégio Maria Ortiz, contou com a participação especial de um representante do Sindicato Nacional dos Petroleiros.
O estado foi um dos primeiros a constituir o partido no país. Durante o lançamento do manifesto e a formação da comissão provisória para a criação do PT em nível nacional, o estado esteve junto com São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, ao lado de mais outros estados.
A primeira reunião para constituir a Comissão Provisória aconteceu no dia 28 de janeiro de 1980, na Ilha de Santa Maria. No prazo de seis meses, os diretores da comissão deveriam percorrer o território capixaba para construir o partido. Era necessário criar comissões provisórias em, no mínimo, 14 municípios. A peregrinação para formar a base partidária enfrentou dificuldades financeiras e falta de estrutura para chegar às localidades. Mas, os ideais se mantiveram firmes.
Os militantes conseguiram formar comissões em 18 municípios, por toda a Grande Vitória, e ainda no interior, em São Mateus, Barra de São Francisco, Colatina, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Ecoporanga, Muniz Freire, Castelo, Guarapari, entre outros.
A sintonia nas idéias e objetivos levou várias vertentes a formar o partido. Eram médicos, jornalistas, professores, estudantes, funcionários públicos, bancários, operários da construção civil, metalúrgicos, ferroviários e lideranças da Igreja Católica, ligadas às Comunidades Eclesiais de Base (Ceb's).
Todo espaço onde se constituía uma nova oposição sindical lá estava o Partido dos Trabalhadores. O PT também encontrou força no movimento popular, principalmente, na luta pelo transporte coletivo, contra a carestia, em defesa de saneamento básico para todos, entre outras lutas.
Hoje, o PT no Espírito Santo está constituído em todos os municípios capixabas. No auge de sua organização, o partido vive um momento especial desde as eleições de 2002, com a eleição de quatro deputados estaduais - Cláudio Vereza, Helder Salomão, Brice Bragato e Carlos Casteglione - e uma deputada federal, Iriny Lopes.
Nas eleições municipais deste ano, o partido saiu ainda mais fortalecido. Elegeu cinco prefeitos - Vitória, Cariacica, Castelo, Iconha e Ecoporanga, nove vice-prefeitos e 34 vereadores.
Além de vitorioso na mobilização popular e na organização dos trabalhadores, o PT comprovou sua competência no exercício de mandatos parlamentares e executivos. Sem perder a ligação com a rua, o partido continua na base, protagonista em diferentes ações sociais na busca de um país verdadeiramente para todos.
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